Ela é
o jeito mais novo
que eu descobri
de como ser feliz
Ela faz
eu acreditar
que eu posso bem mais
do que eu sempre quis
Ela tem
verdade no olhar
voz de algodão doce
e um jeito de menina
Ela é
muito mais mulher
muito mais do que
ela mesmo imagina
Ela pode
fazer o que quiser
pois ela sempre faz
eu me sentir tão bem
Ela é
a flor que eu prefiro
e a beleza dela
nenhuma outra tem
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Quanto tempo...
Tem gente que vive reclamando que nunca tem tempo pra nada. E tem gente que parece que nunca pára, que tá sempre inventando alguma coisa e sempre sobra tempo. Incrível isso, mas acho que a grande questão nem é o número de horas que tem o dia, a diferença é o que se faz com cada uma delas.
Pra falar do tempo os gregos tinham duas denominações diferentes: chronos, que seria o tempo cronológico, ou seja, a divisão em horas, dias, etc. E kairos, que significava o tempo enquanto experiência de vida, um momento especial, por exemplo. Ao encontro disso vem Huxley, dizendo que "Por mais que o tempo possa parecer a passagem das horas, vão te parecer curtos se pensar que nunca mais há de vê-los passar".
Me parece que o nosso desafio maior é justamente essa comparação. É saber fazer do tempo cronológico uma grande experiência humana, existencial, significativa. É o famoso "agregar valor" que se fala por aí. É transformar o existir no ser, fazer a vida ter sentido.
Para muitas pessoas vale aquela máxima de que "tempo é dinheiro". Eu até não acho que esteja totalmente errado, dependendo da situação. Mas o tempo é muito mais do que dinheiro.
Eu tenho aproveitado o meu tempo! Disso não tenho dúvida...
Pra falar do tempo os gregos tinham duas denominações diferentes: chronos, que seria o tempo cronológico, ou seja, a divisão em horas, dias, etc. E kairos, que significava o tempo enquanto experiência de vida, um momento especial, por exemplo. Ao encontro disso vem Huxley, dizendo que "Por mais que o tempo possa parecer a passagem das horas, vão te parecer curtos se pensar que nunca mais há de vê-los passar".
Me parece que o nosso desafio maior é justamente essa comparação. É saber fazer do tempo cronológico uma grande experiência humana, existencial, significativa. É o famoso "agregar valor" que se fala por aí. É transformar o existir no ser, fazer a vida ter sentido.
Para muitas pessoas vale aquela máxima de que "tempo é dinheiro". Eu até não acho que esteja totalmente errado, dependendo da situação. Mas o tempo é muito mais do que dinheiro.
Eu tenho aproveitado o meu tempo! Disso não tenho dúvida...
sexta-feira, 5 de junho de 2009
O Pulo do Gato
Certa vez falou um especialista em hábitos felinos que o gato, quando sofre uma queda, faz sete movimentos corporais e preventivos até cair no chão. Quando toca o solo é tão suave como se tivesse amortecedores nos pés. Ele protege a cabeça, gira o rabo, posiciona as patas, alinha o corpo e arqueia a coluna. Ao tocar o solo se solta por inteiro e rola somente uma vez, ainda protegendo a cabeça.
Foi aí que lembrei ter ouvido uma metáfora sobre um artesão que, ao ensinar seu ofício, dizia que a gente ensina tudo, menos o pulo do gato. O que ele quis dizer é que as coisas tangíveis podem ser ensinadas, podem ser formuladas. Procedimentos e métodos, leis e normas, regras e dicas. Tudo isso pode ser passado de uma pessoa para a outra, sem problemas.
O que vai diferenciar uma pessoa da outra é justamente este algo mais que não se ensina. E que não se aprende. O cozinheiro tem seu próprio tempero, o pintor tem seu próprio estilo. E eles o tem não porque aprenderam. Eles desenvolveram o pulo do gato.
Veja o caso do gato, que se não tivesse criado o próprio pulo estaria estabacado no chão até hoje! Acho que seria uma boa comparar essa metáfora com a nossa própria história, pra descobrir se a gente é igual a todo mundo ou se já desenvolveu o pulo...
Foi aí que lembrei ter ouvido uma metáfora sobre um artesão que, ao ensinar seu ofício, dizia que a gente ensina tudo, menos o pulo do gato. O que ele quis dizer é que as coisas tangíveis podem ser ensinadas, podem ser formuladas. Procedimentos e métodos, leis e normas, regras e dicas. Tudo isso pode ser passado de uma pessoa para a outra, sem problemas.
O que vai diferenciar uma pessoa da outra é justamente este algo mais que não se ensina. E que não se aprende. O cozinheiro tem seu próprio tempero, o pintor tem seu próprio estilo. E eles o tem não porque aprenderam. Eles desenvolveram o pulo do gato.
Veja o caso do gato, que se não tivesse criado o próprio pulo estaria estabacado no chão até hoje! Acho que seria uma boa comparar essa metáfora com a nossa própria história, pra descobrir se a gente é igual a todo mundo ou se já desenvolveu o pulo...
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Roda de Viola
Talvez não haja no mundo algo tão socializador como o violão.
Ontem a turma estava reunida, fazendo um churrasco, bebendo um uísque pra relaxar. Por mais que se tentasse fugir do tema, vinha o assunto "trabalho" aflorar no meio das nossas conversas. E a medida que as palavras iam sendo expulsas do pensamento e atingindo a atmosfera o clima ia ficando pesado. Alguém contava uma piada e arrancava gargalhadas do público, outro falava do time e do esquema tático, do treinador e do craque, aquele outro da cabeceira da mesa fazia um apanhado das notícias do dia... E conseguia dissipar momentaneamente aquela situação de desconforto. Essas manobras atenuava mas não eliminava a tensão que havia no ar.
Foi aí que eu resolvi, meio que de susto, sacar o violão e puxar uma do Jayme:
"A um bochincho certa feita
Fui chegando de curioso,
Que o vicio é que nem sarnoso,
nunca pára nem se ajeita..."
Nisso a turma parou tudo. O gordinho apagou o cigarro que foi acender lá fora, no frio, e já rebateu a pajada:
"Baile de gente direita
Vi, de pronto, que não era,
Na noite de primavera
Gaguejava a voz dum tango
E eu sou louco por fandango
Que nem pinto por quirera"
Nisso já pulou outro gaúcho, pedindo pra tocar aquela e que, não fosse minha péssima memória, teria sido atendido. Toquei algumas que eu lembrava, desde o João Balaio até a Boate Azul. Nisso eu já percebia uma boa mudança de comportamento do pessoal. Cada um pediu e cantou alguma música. E a paz voltou a reinar. Até larguei o violão pra um canto, pra conversar mais um pouco, tomar mais uma...
Pode até ser que uma roda de chimarrão seja mais democrática, mas com certeza não existe nada igual ao efeito que a música faz, principalmente reunindo uma turma ao redor de um violão.
Foi aí que eu resolvi, meio que de susto, sacar o violão e puxar uma do Jayme:
"A um bochincho certa feita
Fui chegando de curioso,
Que o vicio é que nem sarnoso,
nunca pára nem se ajeita..."
Nisso a turma parou tudo. O gordinho apagou o cigarro que foi acender lá fora, no frio, e já rebateu a pajada:
"Baile de gente direita
Vi, de pronto, que não era,
Na noite de primavera
Gaguejava a voz dum tango
E eu sou louco por fandango
Que nem pinto por quirera"
Nisso já pulou outro gaúcho, pedindo pra tocar aquela e que, não fosse minha péssima memória, teria sido atendido. Toquei algumas que eu lembrava, desde o João Balaio até a Boate Azul. Nisso eu já percebia uma boa mudança de comportamento do pessoal. Cada um pediu e cantou alguma música. E a paz voltou a reinar. Até larguei o violão pra um canto, pra conversar mais um pouco, tomar mais uma...
Pode até ser que uma roda de chimarrão seja mais democrática, mas com certeza não existe nada igual ao efeito que a música faz, principalmente reunindo uma turma ao redor de um violão.
sábado, 9 de maio de 2009
O Pedro e o São Pedro
(Texto: Adriano Vieira)
Todo dia era a mesma rotina: Dátia acordava da sesta, fazia um café – em geral bem forte e com pouco açúcar – e saía arrastando as sandálias no corredor de basalto, que ladeava a casa até o portão (com a xícara de café na mão, bebericando em golinhos). Era o ritual de espera pelo Pedro, conterrâneo do Morro Azul, que morava há anos em Canoas. O motivo da espera: o jogo de cartas que recheava as tardes de todos os dias.
Pouco depois chegava o Pedro, de passos curtos, mas espaçados (pela separação das pernas, causada pela barriga protuberante), com os braços abanando ao lado do corpo, um palito de dentes incrustado no enorme bigode que lhe cobria a boca. Os cumprimentos eram em meio a resmungos e considerações acerca do tempo:
- B’a Tarde! Parece que vai chover, dizia Pedro
- Tarde! Ta com jeito, respondia o Dátia enquanto abria o portão, onde antes escorava os cotovelos, balançando a xícara de café, pendurada pelo indicador.
A mesa de fórmica branca, com bordas vermelhas, já estava organizada: o baralho já fora da caixinha de madeira (dividida em duas partes por uma barrinha também de madeira) e um bloco de folhas de papel com muitas páginas já escritas com os resultados do pontinho. Depois de alguns pigarros e tosses, Dátia olhava o bloquinho de papel e lembrava o placar do dia anterior, em tom de provocação.
Aida, que levantara nesse momento de seu sono vespertino, cruzava a porta que dividia a sala de jantar da cozinha – onde era a jogatina – arrastando os chinelos de inverno, com uma calça lilás, blusa de lã cor-de-laranja e um casaco verde, também de lã, com as mangas puxadas até os cotovelos. Cumprimentava Pedro e ia logo pegando uma laranja na fruteira, que descascava com maestria, usando uma faca de cozinha. Era a esposa, companheira incondicional de Dátia, com quem brigava quase todos os dias. Ligava a televisão, puxava uma cadeira e ficava sentada de lado, com um olho na televisão e o outro nas cartas do Dátia. Vez por outra olhava com mais intensidade para as cartas do marido e dizia, com expressão de muito espanto:
- Nossa! Quanto paus, Dátia!
O marido resmungava uma coisa que ninguém entendia, fazia um gesto com a mão, abanando, como se tivesse espantando um mosquito, olhava o companheiro de jogo e dava uma risadinha. Vez por outra, Aida levantava da cadeira, dirigia-se até um armário, abria o açucareiro e colocava uma porção de açúcar na boca, usando a própria colher do açucareiro, depois sentava e seguia suas observações até a hora em que o relógio de parede badalava quatro vezes, quando ela ia preparar o café e expulsar os jogadores de sua mesa, onde preparava o banquete da tarde.
Certo dia, Dátia ficou mais do que o costume com a xícara balançando no indicador, e cotovelos apoiados no portão. Aida veio ao seu encontro e perguntou:
- Pedro costa não vem hoje?
Dátia resmungou algo do tipo “ah, sei lá”.
No dia seguinte Dátia recebera a notícia: seu amigo não viria mais, “foi jogar com São Pedro”, lembrava Dátia.
Todo dia era a mesma rotina: Dátia acordava da sesta, fazia um café – em geral bem forte e com pouco açúcar – e saía arrastando as sandálias no corredor de basalto, que ladeava a casa até o portão (com a xícara de café na mão, bebericando em golinhos). Era o ritual de espera pelo Pedro, conterrâneo do Morro Azul, que morava há anos em Canoas. O motivo da espera: o jogo de cartas que recheava as tardes de todos os dias.
Pouco depois chegava o Pedro, de passos curtos, mas espaçados (pela separação das pernas, causada pela barriga protuberante), com os braços abanando ao lado do corpo, um palito de dentes incrustado no enorme bigode que lhe cobria a boca. Os cumprimentos eram em meio a resmungos e considerações acerca do tempo:
- B’a Tarde! Parece que vai chover, dizia Pedro
- Tarde! Ta com jeito, respondia o Dátia enquanto abria o portão, onde antes escorava os cotovelos, balançando a xícara de café, pendurada pelo indicador.
A mesa de fórmica branca, com bordas vermelhas, já estava organizada: o baralho já fora da caixinha de madeira (dividida em duas partes por uma barrinha também de madeira) e um bloco de folhas de papel com muitas páginas já escritas com os resultados do pontinho. Depois de alguns pigarros e tosses, Dátia olhava o bloquinho de papel e lembrava o placar do dia anterior, em tom de provocação.
Aida, que levantara nesse momento de seu sono vespertino, cruzava a porta que dividia a sala de jantar da cozinha – onde era a jogatina – arrastando os chinelos de inverno, com uma calça lilás, blusa de lã cor-de-laranja e um casaco verde, também de lã, com as mangas puxadas até os cotovelos. Cumprimentava Pedro e ia logo pegando uma laranja na fruteira, que descascava com maestria, usando uma faca de cozinha. Era a esposa, companheira incondicional de Dátia, com quem brigava quase todos os dias. Ligava a televisão, puxava uma cadeira e ficava sentada de lado, com um olho na televisão e o outro nas cartas do Dátia. Vez por outra olhava com mais intensidade para as cartas do marido e dizia, com expressão de muito espanto:
- Nossa! Quanto paus, Dátia!
O marido resmungava uma coisa que ninguém entendia, fazia um gesto com a mão, abanando, como se tivesse espantando um mosquito, olhava o companheiro de jogo e dava uma risadinha. Vez por outra, Aida levantava da cadeira, dirigia-se até um armário, abria o açucareiro e colocava uma porção de açúcar na boca, usando a própria colher do açucareiro, depois sentava e seguia suas observações até a hora em que o relógio de parede badalava quatro vezes, quando ela ia preparar o café e expulsar os jogadores de sua mesa, onde preparava o banquete da tarde.
Certo dia, Dátia ficou mais do que o costume com a xícara balançando no indicador, e cotovelos apoiados no portão. Aida veio ao seu encontro e perguntou:
- Pedro costa não vem hoje?
Dátia resmungou algo do tipo “ah, sei lá”.
No dia seguinte Dátia recebera a notícia: seu amigo não viria mais, “foi jogar com São Pedro”, lembrava Dátia.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Mudanças
Ahááá!!
Eu já sabia que isso iria acontecer, talvez até tenha criado um álibi pra isso. Em um de meus posts no ano passado eu escrevi que no Brasil o ano só começa após o carnaval. E dessa forma me dei o direito de só começar a escrever depois do seu início real. Talvez por preguiça (não tem mais trema né? ou tem? - me refiro à grafia), talvez por falta de assunto ou uma hipótese mais remota seria o receio de que ninguém fosse ler nesse período. Mas enfim, já fui cobrado e aqui estou!
Eu voltei, voltei para ficar...
Hoje eu tava pensando no café da manhã sobre as 5 cidades que eu morei nos últimos 12 meses. Cuiabá, Pelotas, Rio Grande, Santa Vitória do Palmar e por último, desde o início deste mês, Rosário do Sul. A minha profissão exige essa disponibilidade de mudança. E nesses 7 anos de vivência nesse meio eu fui obrigado a me adaptar à necessidade de estar sempre mudando.
Como tudo na vida, isso também tem prós e contras. A distância da família, dos amigos, do Gigante da Beira Rio, a sensação de que a qualquer momento pode vir uma transferência pra mais longe é uma angústia constante. Mas em contrapartida podemos conhecer sempre novos lugares, novas culturas, novas pessoas. Nessas minhas andanças por aí já passei por muitas situações. Já me diverti bastante, já passei por apuros, já conheci lugares de cartão postal, e de cartão Bostal também. Já fiz amizades inesquecíveis e já tive amores eternos de uma semana. Já tive vontade de largar tudo, de fugir...
Foi aí que aprendi que realmente vale a pena. Vale a pena conhecer, ouvir, aprender. Vale a pena descobrir, dividir, conviver. Vale a pena errar, acertar, consertar. Vale a pena trocar as raízes por asas.
Porque é muito bom sair, mas não há nada como voltar!
sábado, 20 de dezembro de 2008
Aeroporto
Ontem fui no aeroporto esperar a chegada dos meus irmãos, que vinham de Cuiabá. O vôo, que partia de Manaus, acabou atrasando quase duas horas (coisa que eu não via desde o apagão aéreo). Coitados dos passageiros que vinhams de tão longe.
Nesse tempo de espera, acabei dando uma circulada pelo lugar, observando as vitrines das lojas já fechadas, passei pela praça de alimentação pra tomar um café já que já passava da meia-noite. Mas foi um lugar que me chamou mais atenção: o desembarque.
Desde o embarque cada passageiro deve ter alguma coisa pra contar, cada check-in é uma história. Gente que chega em casa depois de muito tempo longe, gente que tem que vir trabalhar nessa época do ano, gente que veio visitar o nosso estado (Natal Luz, Serra, etc)... Em meio a abraços apertados, recepções calorosas - outras nem tanto, passei a observar as pessoas.
Eu que sempre vou e volto, às vezes mais perto, outras mais longe, nunca tinha reparado a angústia de quem espera. A mãe que fica de olho na tela... "vôo confirmado, pouso, aeronave no solo" e de repente "é ele, olha ele ali!". A alegria de ver chegar o filho que estava estudando fora e que, há meses, vinha sonhando com o reencontro. O marido que trabalha em São Paulo e que vem semana sim, semana não, pra encontrar com a esposa e os filhos, por quem ele tanto luta pra poder dar o melhor possível...
Não sei se sofre mais quem espera ou quem vem chegando, mas a fusão dos sentimentos de ambos, colocando um ponto final na saudade é uma das coisas mais bonitas de se ver. Ontem acho que vi essa cena acontecendo uma dezena de vezes. E de repente chegou a minha vez... O vôo 1756 da Gol chegou, e com ele meus grandes amigos, os irmãos que a vida me permitiu escolher.
Sejam bem vindos em casa, de novo!
Assinar:
Postagens (Atom)